Rosana Souto

Heather e Spreading Phlox são essências florais indispensáveis para preparar a humanidade para uma nova forma de se relacionar, ancorada na aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades [ Gikovate ]1

Uma das essências de pesquisa da Flower Essence Society que vem crescendo em popularidade no Brasil é a Spreading Phlox (Phlox diffusa).  Em função das mais variadas circunstâncias, onde seu efeito pôde ser notado na vida de diferentes pessoas, hoje a Spreading Phlox passou a ser conhecida e procurada como o floral da alma gêmea ou da afinidade nos relacionamentos em geral.

Isto por que a incorporação novas formas de ver o Universo aliada ao grande avanço tecnológico do início deste século, implica na necessidade de revermos também muitos dos paradigmas que regem a esfera dos nossos relacionamentos.

Para Flávio Gikovate, autor de renome, médico e  psicoterapeuta brasileiro, o que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

Para ele, a idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

 A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.1

Isto impulsiona o desenvolvimento da nossa individualidade, da necessidade de nos vermos como seres inteiros, de nos amarmos e de sabermos apreciar a nossa própria companhia. Só assim estaremos prontos para nos relacionarmos com os outros de forma verdadeira. Aquele que não sabe ficar sozinho consigo próprio, dificilmente saberá respeitar e apreciar o outro na sua individualidade, perpetuando um padrão de co-dependência emocional. 

Por este motivo, hoje em dia, podemos constatar um número crescente de relacionamentos, aparentemente estáveis e duradouros, se desfazendo. Ainda segundo Flávio Gikovate, com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas... O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.2

A natureza nos acompanha em nossa evolução oferecendo-nos suas dádivas por meio das flores. Quando comparamos as assinaturas da Spreading Phlox com a da Heather (Calluna vulgaris), do sistema Bach, podemos perceber as diferenças sutis que favorecem o nosso caminhar em direção a esta nova arte de se relacionar – a arte de unir o nosso Eu verdadeiro ao Eu verdadeiro de outrem somando talentos e potencialidades para gerar mais benefícios para a sociedade e/ou para o planeta. Os relacionamentos atuais visam a adição e não a divisão dos Eus individuais para um bem comum.   

Heather e Spreading Phlox têm muito em comum. Suas famílias botânicas pertencem à mesma ordem das Ericales, sendo Heather, da família Ericaceae, enquanto a Spreading Phlox pertence à família Polemoniaceae. Ambas trazem no nome alusão ao elemento fogo. Em Heather, heat do inglês, calor ou quente, em Spreading Phlox, phlox do grego, chama.  Ambas exibem grande poder de espalhamento e suas flores podem apresentar-se em cores parecidas.

No entanto, a forma como cada uma destas plantas escolhe para se relacionar com os espaços que ocupam, nos fala muito de suas propriedades de cura sutis como essência floral. 

Heather é voraz. Cresce tanto em planícies como em colinas e, em sua sede por companhia, invade os espaços sugando todo o doce do solo, deixando-o ácido por onde passa. Suas raízes laterais sufocam os outros seres vegetais que encontram pelo caminho, deixando-os sem vida. Heather invade os espaços e os outros, sugando-lhes, até que estes não lhe sirvam mais. E, assim, como a pessoa que necessita desta essência floral, segue em frente buscando mais, sem nunca se sentir saciado. Heather precisa tanto do outro para viver que termina o sufocando em sua liberdade existencial. É o egoísta que não tem energia própria alimentando-se da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.3

Por outro lado, a Spreading Phlox, além de preferir altitudes mais elevadas (1220-3600m)4, gosta de crescer formando tapetes que se espalham sobre superfícies rochosas e áridas, trazendo de volta o verde e enfeitando estes espaços com suas pequenas flores  com coloração que varia do rosa ou lilás ao branco.  Sua estratégia de espalhamento é bem menos agressiva que a de Heather. A princípio, podemos perceber pequenos focos das flores, ou até mesmo, flores ainda isoladas, distantes dos tapetes mais densos. Com o passar dos dias estes focos ou as flores “desgarradas” parecem migrar ao encontro uma das outras, formando novos tapetes ou unindo-se a massas mais densas já existentes.

O que notamos no crescimento da Spreading Phlox é um movimento de aproximação, tanto individual como grupal em busca de seus afins, e não um movimento invasivo como o da Heather. Para Heather não importa o que encontra no caminho, desde que não fique sozinha.  Já a Spreading Phlox é seletiva. E esta aproximação tem uma função nobre – a união de todos para um bem comum.

O elemento fogo é o elemento associado à luz.  A luz é invariavelmente o emblema do espírito: a luz divina, a luz do amor, a luz da criação.[ BARNARD ]5

No simbolismo planetário, a luz, a consciência divina, são atributos de Júpiter, bem como o movimento de expansão. Heather e Spreading Phlox são seres vegetais que apresentam uma influência jupteriana bastante significativa, especialmente, devido ao seu potencial de ocupar grandes espaços. No entanto, em suas assinaturas, outros planetas também se fazem presentes, destacando-se Vênus, deusa do amor e dos relacionamentos, responsável por nosso impulso de dar e receber amor, compelindo a união entre as pessoas em geral.

Vênus é atração, é quem traz harmonia e beleza. As relações formadas por amor são as mais estáveis, o amor deixa o outro ser o que ele é, gosta do outro pelo que ele é, e gosta, também, de si próprio. A harmonia permite que o outro se mova de acordo com sua natureza e torna as pessoas mais conscientes de si próprias e, portanto, em sintonia com o mundo. [RIBEIRO]6

Heather e Spreading Phlox trazem em si toda a potência divina e, particularmente, sua grande capacidade de espalhar a luz e o amor sobre o planeta. No entanto, as pequenas flores de Heather, em formato de balões dirigidos para abaixo, nos mostram que, em primeiro lugar, o amor e a consciência divina devem ser desenvolvidos em si próprio para que a pessoa esteja pronta para amar e doar sua atenção ao outro com empatia. 

Por outro lado, é a profusão do néctar das flores de Heather, trazida de forma sutil para sua essência floral, que a faz capaz de saciar a grande carência afetiva, a sede de amor próprio, capacitando a pessoa para o entendimento compassivo do outro e respeito a sua liberdade individual. Heather transmuta a necessidade de alimentar-se ou sugar o outro em receptividade e doação incondicionais. É a cura do egoísmo nos relacionamentos, da projeção doentia do precisar do outro para viver, por meio do aprimoramento da virtude do servir.

Já as flores singelas da Spreading Phlox, com cinco pétalas arredondadas de coloração rósea, planas e voltadas para cima, com uma cavidade central a proteger suas partes reprodutoras, traduzem a busca, a abertura e a calorosa receptividade a parceiros afins, seja a nível individual ou coletivo.  Spreading Phlox busca mais do que estar junto. Ela quer juntar-se ao outro no serviço à humanidade, sem ser invadida ou invadir o próximo, respeitando, escutando e acolhendo amorosamente o outro em sua caminhada de vida. É a essência floral alinhada com os novos paradigmas de relacionamento para o século XXI, onde o que se busca é uma qualidade de amor tecida no plano espiritual e só compreendida por aqueles que já fizeram o resgate de sua verdadeira identidade e amor próprios.

Spreading Phlox busca afinidade nos seus relacionamentos, este tempero na esfera do amor que nos faz sentir ligados e pertencentes a uma grande teia de seres espirituais que vêem um propósito maior em sua jornada terrestre. Afinidade é difícil de descrever, posto ser algo que não faz parte de uma abordagem lógica e racional da vida.

Afinidade é algo que é sentido, não importa o quão diferentes e únicos cada um de nós possa ser. É a sensação de um amor sem distância, sem espaço de tempo. É o sentimento do “parece que foi ontem” mesmo que já se tenha passado anos sem se ter visto ou estado com determinada pessoa.

Para o escritor e jornalista brasileiro Arthur da Távola, afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos e também o mais independente.7 Ainda segundo ele:

Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.

É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.

Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
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Desta forma, Heather e Spreading Phlox são essências florais indispensáveis para preparar a humanidade para uma nova forma de se relacionar, ancorada na aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. [Gikovate]9

Ainda segundo Flávio Gikovate, o amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.10

Na prática, o uso da Spreading Phlox deve ser considerado após um longo ciclo de trabalho terapêutico onde Heather se fez necessário na cura da co-dependência emocional associada, muitas vezes, a: Walnut e Red Chestnut para liberar o laço simbiótico, resgatando a liberdade existencial; Bleeding Heart para curar a dor de se sentir afastado do outro ou, até mesmo; Milkweed , quando o padrão de dependência do outro é tão intenso que chega a comprometer os afazeres cotidianos.

Walnut
Red Chestnut
Bleeding Heart
Milkweed

Por outro lado, só o calor de Heather - sua grande capacidade de dar amor e afeto, é capaz de resgatar o prazer de se ter uma companhia naqueles indivíduos que já se acostumaram a viver completamente sós, seja por auto-suficiência, Water Violet, e/ou por terem desistido de esperar por alguém que os acompanhasse em sua jornada de vida, Impatiens.  Não é de se admirar que estes três florais façam parte do grupo da solidão.
No entanto, cabe a Heather a função de fazer a ponte amorosa entre o céu e a terra restaurando o sentido de nos sentirmos plenos e pertencentes a algo maior.

Water Violet
Impatiens

Spreading Phlox costuma agir de forma sutil e muitas vezes, surpreendente. Em alguns casos ela parece retirar um véu que impede que o amor se manifeste entre pessoas, às vezes, já conhecidas – um parente distante, um amigo da família ou mesmo, um colega de escola. Em outros, ela atua aproximando grupos que se distanciaram por circunstâncias de vida diversas, mas que compartilham em si os mesmos anseios, origens ou propósito - como o exemplo de uma cliente que, ao tomar esta essência, foi o instrumento para resgatar o passado genealógico de sua família de imigrantes italianos recobrando a alegria de descobrir parentes em todo o Brasil. 
 
Que possamos, então, tirar proveito das qualidades curativas destas essências florais para encontrar nossos seres afins, espalhados por todo mundo, que comungarão a alegria do amar e servir ao propósito evolutivo do nosso planeta, acolhendo-nos, reconhecendo-nos, respeitando-nos em nossa individualidade e erradicando, por completo, toda a sensação de isolamento ou solidão.

REFERÊNCIAS

1, 2, 3, 9 & 10 - GIKOVATE, Flávio – Sobre estar sozinho, www.flaviogikovate.com.br/site/Acervoartigos/101.html

4 - The Flower Essence Society website – www.flowersociety.org – members page

5 – BARNARD, Julian – Bach Flower Remedies Form & Function – 1a edição, p. 245, Flower Remedy Programme, Great Britain,  2002

6 – RIBEIRO, Ana Maria da Costa – Conhecimento da Astrologia – pág 127 – 3a  edição, Ed. Hipocampo, 1988.

7&8 – TÁVOLA, Arthur – Afinidade - http://www.culturatura.com.br/mensagens/afinidade.htm

Rosana Souto

Rosana Souto S. Vieira – Professora autorizada da Flower Essence Society e dos Florais de Bach Healingherbs. Diretora do Instituto Cosmos de Terapia Floral, Campinas, Brasil. Desde 1998 é voluntária e responsável pelo atendimento em Terapia Floral no Os Seareiros/Núcleo Mãe Maria, atuando junto a crianças carentes com distúrbios de aprendizagem.


 


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