Estudo de Planta

Arrud
Ruta graveolens L.

Anete B. E. Effting

Nomes populares da planta


Introdução


I. Percepção da Arruda: dando suporte sólido para enfrentar o que der e vier


Observação da Arruda através das Doze Janelas de Percepção de Plantas

Forma, Gesto, Assinatura
Família Botânica
Cor
Odor
Bioquímica
Usos medicinais e riscos
Uso fitoterápico, mitologia, sabedoria popular, usos culinários
Quatro Elementos
Relações cósmicas e terrenas
Ciclos diários e sazonais
Meio ambiente

Esboços de campo

II. Expressão artística com Arruda: flores prensadas e arranjos florais

Referências bibliográficas

 

Nomes populares da planta

Rue, Common Rue, Herb of Grace, Country Man’s Treacle, Herbygrass - Inglês
Rue Fétide, Rue officinale, Herbe de Grace - Francês
Weinraute – Alemão
Arruda, Arruda Fedorenta, Arruda Doméstica, Arruda dos jardins, Ruta de cheiro forte – Português
Ruda, Ruda de Monte, Arroda, Erruda – Espanhol

Introdução

O exemplar que observei cresce numa floreira na sacada do meu apartamento, no oitavo andar, voltado para o leste. Eu escolhi a arruda por uma razão especial: há quatro anos, quando mudei para este lugar, estava atravessando um período muito tumultuado em minha vida. Uma das primeiras plantas que senti vontade de cultivar foi a arruda, é conhecida por morrer facilmente na presença de energias negativas. O que aconteceu foi que minha arruda parecia alimentar-se daquele ambiente energético tão negativo, desenvolvendo-se e tornando-se uma planta bela e saudável e, mais importante do que isso, dando-me uma grande sensação de proteção, que me ajudou a atravessar aquele período difícil. Por este motivo, tenho uma dívida de gratidão com esta arruda que está cuidando de mim há tanto tempo. Gosto de pensar que eu fui escolhida por ela, e não o contrário.

 

I. Percepção da Arruda: dando suporte sólido para enfrentar o que der e vier

A planta de quatro anos está bem enraizada, não tendo sido transplantada durante este período. Foi comprada como muda e a única manutenção consistiu na adubação e remoção de folhas e ramos secos. Quando os caules ficavam longos demais para suportar seu peso, eram podados alguns centímetros acima do nível das raízes, dando lugar ao surgimento imediato de novos brotos.

A arruda é um arbusto perene de cerca de 80 cm de altura, com caules redondos individuais que se projetam diretamente a partir da base da planta. Alguns deles dividem-se em dois, mas a maioria é individual, com um aglomerado de folhas na sua extremidade distal – a aproximadamente três quartos da base da planta. Alguns são longos e delgados, medindo entre 60-80 cm. Os caules são duros, com diâmetro variando entre 6-10 mm, cobertos de cicatrizes a intervalos regulares, mostrando o lugar onde cresciam as folhas que já caíram. O caule e as folhas têm aroma similar. Ao ser quebrada, a haste apresenta uma camada externa muito fina e seca de cor arenosa, semelhante a papel, que pode ser facilmente descascada com a unha. Logo abaixo, a próxima camada é de um verde-claro, macia e úmida, que também pode ser removida sem dificuldade. A próxima camada é bem mais seca, de um verde desbotado, quase branco. Esta é muito dura e seca, não sendo possível descascá-la. Tentei quebrá-la com a unha e apenas consegui rachá-la. Esta “casca dura” revelou um cerne branco muito macio e bem protegido, com uma consistência que me lembrou massa de pão.  O que chamou minha atenção foi o fato de cada uma dessas camadas, apesar de extremamente finas, ser completamente diferente da outra, tanto em cor como em consistência, seguindo o padrão de uma camada mais seca envolvendo a interna, mais macia. A região onde crescem as folhas tem uma cor completamente diferente, de um verde-claro que combina com as folhas, sendo a transição de verde para bege abrupta e bem definida. Além disso, esta parte “verde” é bastante macia e suculenta. Parece que depois da queda das folhas, não há mais necessidade de tanta maciez e umidade, e o caule torna-se duro, mudando para uma cor semelhante a areia. Minúsculos brotos de folhas crescem na extremidade das hastes, dando a impressão de serem uma fina renda logo que despontam. Apesar de duro e resistente, o longo caule é bastante flexível, esvoaçando ao sabor do vento.
Toda a orientação da planta é ascendente. Parece que os caules querem alcançar o céu, enquanto as raízes prendem a planta firmemente ao solo. Ela é bem enraizada, apesar de não haver sido possível observar o sistema radicular abaixo do nível da terra. Segurei a planta firmemente perto da base, tentando puxá-la, e a resistência das raízes foi grande.

As flores amarelo-esverdeadas em forma de estrela, com borda franjada e estame protuberante, crescem em grupos que “olham para o céu". A flor central tem cinco pétalas, ao passo que todas as outras têm quatro. As pétalas arredondadas estão inicialmente curvadas em torno do centro e abrem-se lentamente, formando uma capa protetora para o ovário verde, composto de quatro/cinco lóbulos, que gradualmente incha até que as pétalas não sejam mais necessárias e caiam. O ovário, com 4-5 câmaras, continua a crescer até atingir entre 0,5 – 1 cm, tornando-se marrom à medida que amadurece, até finalmente abrir-se e revelar 4-5 minúsculas sementes pretas em seu interior. Observei este processo entre agosto e dezembro de 2007, tendo documentado a evolução da planta com fotografias, algumas das quais ilustram o presente trabalho.

 

 

A cor das folhas de textura aveludada varia do verde-acinzentado ao verde-azulado. As pequenas folhas arredondadas estão dispostas simetricamente na parte superior do caule. São de um verde muito brilhante e claro quando jovens, tornando-se verde-acinzentadas à medida que envelhecem, até ficarem marrons nas pontas e caírem. Algumas folhas mais velhas têm uma camada branca e macia na parte inferior. Não estou segura de ser esta uma característica da planta, ou algum parasita da planta que observei. As folhas estão simetricamente distribuídas à direita, à esquerda e na ponta de cada haste individual. Cada folha tem uma nervura central acinzentada, e várias nervuras secundárias originando-se a partir desta. Algumas folhas lembram o formato de um coração.

Uma das características mais marcantes desta planta é, sem dúvida, o odor forte, aromático, amargo ou ácido, mas que pode ser muito calmante e reconfortante depois que nos acostumamos com ele. Minha experiência pessoal comprova isto. Sempre que me sinto desanimada, angustiada, amasso algumas folhas com os dedos para liberar o aroma, e sinto-me melhor após aspirá-lo. O sabor das folhas é bastante amargo e os frutos têm gosto parecido, um pouco mais forte e picante.

A planta que observei cresce num ambiente ensolarado, recebendo luz solar direta durante toda a manhã e metade da tarde. Não requer muita água ou adubo, e o período de floração vai do final do inverno (agosto) até o final da primavera (dezembro). Em dezembro, os ovários estava secos e prontos para liberar as sementes. O caule que estava neste estágio quebrou durante uma tempestade, mas minha observação dos anos anteriores mostrou-me que as sementes caem quando este balança ao vento, tendo algumas delas brotado e gerado novas mudas.

A arruda parece ter uma relação muito forte com os elementos Terra e Ar. O Ar está presente nas flores e folhas delicadas que não oferecem resistência ao vento, e que no entanto apontam diretamente para o céu quando não são perturbadas. Elas têm uma aparência etérea e delicada que me faz pensar em alguma influência da planta nos pensamentos. As folhas parecem formar uma rede de proteção, enquanto as flores com seus estames em forma de antena parecem atrair energias do céu. Por outro lado, a força dos caules e a firmeza das raízes aludem ao elemento Terra, com suas qualidades de firmeza e sustentação. Tornou-se evidente para mim que esta planta tem a propriedade de conectar estes dois elementos, a Terra e o Ar, dando-nos assim um sólido suporte para enfrentar seja o que for.

Ao analisar os usos medicinais e os riscos do uso da arruda, um aspecto tornou-se muito claro: a mesma energia que protege e cura também pode matar – depende da quantidade usada.

 

 

Observação da Arruda através das Doze Janelas de Percepção de Plantas 

Forma, Gesto, Assinatura

Basicamente, isto foi descrito acima. A forma estelar e a orientação cósmica ascendente das flores amarelo-esverdeadas falam com muita ênfase de uma conexão com a luz, sugerindo um papel muito importante na conexão da nossa consciência com as esferas superiores. O padrão ascendente dos caules, folhas e flores reforça esta idéia. Até mesmo as folhas “olham para cima”. Intriga-me o fato de apenas a flor central ter cinco pétalas, enquanto as outras ao seu redor têm apenas quatro. Será esta uma representação do Divino – a flor central – e nossa necessidade de nos conectar e entregar a ele, e de nós mesmos simbolizados pelas flores circundantes?

Família Botânica

Reino Plantae – Plantas
   Divisão Tracheobionta – Plantas vasculares
      Super-divisão Spermatophyta – Plantas com sementes
         Divisão Magnoliophyta – Plantas com flores
            Classe Magnoliopsida – Dicotiledôneas
               Sub-classe Rosidae
                  Ordem Sapindales
                     Família Rutaceae – Família da arruda
                       Gênero Ruta L. - arruda
                           Espécie Ruta graveolens L. - arruda comum

 

Col

Como mencionado anteriormente, a cor amarelo-esverdeado sugere luz e a idéia de conexão a uma consciência superior.

Odor

O odor extremamente forte e ácido das folhas leva-me a questionar se esta não é a parte da assinatura da planta que expressa o alto grau de proteção oferecido por ela, como forma de afastar as energias astrais negativas. Ao mesmo tempo em que as flores parecem atrair a luz, as folhas parecem dizer “Afastem-se, energias da sombra, não queremos saber de vocês”, e as raízes dizem “Estamos aqui para dar segurança.”

Bioquímica

A arruda pode ser venenosa se ingerida em quantidades excessivas. Todas as partes da planta contêm o princípio ativo, apesar de haver uma concentração maior nas folhas (especialmente antes da floração). Os princípios ativos mais significativos são:

a) glicosídeos como a rutina, um flavonóide, responsável pelo sabor amargo.

b) alcalóides (quinolonas): esquimianina e graveolina (rutanina).

c) furacumarinas (psoraleno):  bergapteno (3-metoxipsoraleno) e xantotoxina (8-metoxipsoraleno), responsável pela fotossensibilização, hepatotoxicidade e nefrotoxicidade.

d) óleos essenciais: metil-nonil-cetona (tem efeito no útero), metil-n-octil-cetona e metil-heptil-cetona.

e) álcoois: metil-etil-carbinol, pineno, limoneno.

f) outros componentes: dictamina, esquimianina, pteleina e cocusaginina.
     
Tanino, resinas e ácido ascórbico também foram encontrados.

 

Usos medicinais e riscos

Como erva medicinal, usa-se as folhas frescas; em caso de indisponibilidade, as folhas secas são um substituto que deixa a desejar. Antigamente, o óleo e infusões de arruda eram usadas como antiespasmódicos e emenagogos. O óleo de arruda tem alto poder de irritação local. É recomendado no tratamento fitoterápico da insônia, dor de cabeça, nervosismo, cólicas abdominais e problemas renais. É muito conhecido como emenagogo. A planta pode fazer parte de preparados fitoterápicos sedativos e hipnóticos (o óleo de arruda é um medicamento homeopático geralmente usado como rubefaciente, para certas dermatoses como eczemas e psoríase), e como agente antiviral em combinação com outras ervas. Ao ser aplicado ou esfregado na pele tem efeito rubefaciente (para dor reumática).

O uso mais freqüente e intencional da planta é para a indução do aborto. Apesar de alguns casos de intoxicação serem causados por erro na preparação da infusão medicinal, a maioria dos casos clínicos deve-se à ingestão intencional visando ao aborto. O uso medicinal tradicional como infusão consiste de uma colher de sopa de folhas para 250 ml de água fervente e não mais de 2 xícaras por dia. No caso de aborto intencional, a preparação é altamente concentrada e costuma ser misturada com outras ervas. Nos países mediterrâneos e sul-americanos, a planta é abundante e bem conhecida; casos severos de intoxicação são relatados em países onde o aborto voluntário é ilegal. Na medicina tradicional, o uso em crianças é contra-indicado.
O uso de preparações fitoterápicas com arruda deve ser evitado, a menos que haja conhecimento preciso de seus constituintes e dos possíveis efeitos. Mulheres grávidas devem evitar a ingestão de infusões que possam conter plantas abortivas (emenagogas). O contato da pele com a arruda deve ser evitado. Entretanto, o uso do óleo de arruda como flavorizante foi autorizado pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão governamental dos EUA que regula produtos alimentícios e farmacêuticos.

Encontrei referência ao uso da arruda como essência floral em dois sistemas, da Flower Essence Society (Florais da Califórnia) e Filhas de Gaia, um sistema brasileiro. A FES descreve suas qualidades positivas como “coesão interna e contenção de forças psíquicas; ativação de aspectos apropriados da consciência da alma segundo responsabilidades profissionais e pessoais” e os padrões de desequilíbrio são “forças psíquicas difusas ou confusas que enfraquecem os limites do sistema imunitário e de proteção; necessidade de mais clareza e discriminação na ativação de forças psíquicas.”

 

Maria Grillo, a pesquisadora responsável pelo sistema Filhas de Gaia, enviou-me uma descrição das qualidades da arruda. A flor está classificada como essência de pesquisa. Incluo a descrição completa, apesar de ser um pouco longa.

ARRUDA -  Flores amarelo-esverdeadas - Ruta graveolens L.
Facilita o aflorar do Poder da Vontade, para construirmos uma vida harmoniosa, próspera e pacífica, exercendo a cada momento nosso livre arbítrio e mantendo protegidos nosso espaço físico, psíquico e espiritual.  Delimita, equilibra e fortalece a Individualidade e o Poder da Vontade das forças solares da Alma, ao mesmo tempo em que ajuda nosso Ego a sintonizar-se e alinhar-se com estas forças positivas da Alma para fortalecer-se e desenvolver uma Individualidade forte e positiva.  Este movimento facilita o alinhamento e a cura de nossas partes identificadas com sentimentos destrutivos, autodestrutivos e agressivos e os seus reflexos desempoderantes em nossos relacionamentos. Esta Essência Floral é de extrema valia para aqueles que, em seus relacionamentos, tendem a permitir que a vontade do outro domine sua mente, levando-o a atuar contra si mesmo, ou a permitir interferências destrutivas em sua vida, sejam estas provenientes do mundo espiritual, astral, psíquico ou de seus relacionamentos pessoais.

PALAVRAS-CHAVE:

Poder das forças positivas da Alma – Vontade forte – Individualidade – Proteção psíquica – Proteção espiritual – Proteção física – Ser fiel a si mesmo – Poder da Vontade -  Confiança no poder da Alma – Dignidade – Consciência solar – Masculino – Protetor – Vontade fraca – Desvitalização – Psiquismo focalizado em uma sintonia de desamor - Desproteção psíquica – Agressividade - Autodestruição – Ímpetos destrutivos ou autodestrutivos – Raiva - Interferências externas – Interferências destrutivas – Espíritos malignos - Esgotamento psíquico – Acidentes – Subserviência – Eu inferior - Roubo energético – Tendência a tombos e acidentes, ferindo-se - Ataque psíquico – Quebranto - Feitiços e magias.

 

Uso fitoterápico, mitologia, sabedoria popular, usos culinários

A maioria das línguas européias tem nomes similares para a arruda: Rue em inglês e francês, ruit  em holandês e Raute em alemão, todos remontam ao latim ruta, que foi emprestado do grego rhyte. A verdadeira origem da palavra é desconhecida. É interessante notar que a arruda tem vários homônimos casuais: Rue em inglês pode também significar “remorso”, o francês rue  significa “rua”; e o termo alemão, Raute, está relacionado ao latim rhomb, "paralelogramo eqüilátero.”

No Novo Testamento, a arruda é mencionada como peganon, nome ainda usado no grego moderno como apiganos. Houve tentativas de relacionar este nome com o grego pegos  “forte” e por conseguinte com a raiz indo-européia PEK “fortalecer,” mas a conexão semântica não está clara. Nomes de plantas relacionados à arruda são o francês péganium, o hebreu pegam, o aramaico pegana e o árabe al-fayjan.

O nome latino da espécie, que a arruda compartilha com várias outras plantas aromáticas como o aipo e o endro, significa “com forte odor”: O latim gravis significa “forte” e olens é o particípio presente de olere, “cheirar”.

A arruda pertence às ervas culinárias cujo uso na cozinha deve-se ao seu sabor amargo. Era um condimento muito comum na Roma antiga, fazendo parte de uma comida campestre chamada moretum, uma pasta picante de alho fresco, queijo duro e ervas (coentro, aipo, arruda); entretanto, seu nome era usado com freqüência como sinônimo de “amargura,” especialmente em poesia. Esta posição ambivalente nos últimos 2000 anos resultou em uma rejeição quase universal nos dias de hoje. Encontrei uma receita de Moretum na The Historical Cookery Page (Página de Culinária Histórica).

Além de seu uso ocasional na Itália, a popularidade da arruda é enorme na Etiópia. Folhas frescas de arruda são usadas ocasionalmente como flavorizante do café (lembrando que é provável que o café seja nativo da Etiópia), e a arruda é mencionada como componente do tempero típico do país, o berbere. A cozinha etíope é singular por usar não apenas as folhas de arruda, mas também os frutos secos, com seu sabor mais intenso, levemente picante, que se conserva após a secagem.

Normalmente, usar arruda na cozinha é considerado anacrônico mas, ainda assim, vale a pena uma tentativa; a carne, ovos e queijos podem beneficiar-se deste tempero praticamente desconhecido, desde que se tomem as devidas precauções para evitar o uso excessivo. O sabor amargo é reduzido pelos ácidos; portanto, uma folha de arruda pode ser usada para dar sabor a vegetais em conserva, tornar uma salada  mais interessante, ou acrescentar um toque altamente pessoal ao vinagre de ervas feito em casa. Por causa de sua afinidade com alimentos ácidos, a arruda combina bem com molhos de tomate italianos bem condimentados que contenham azeitonas e alcaparras.
 
À semelhança de outras ervas amargas, a arruda é apreciada na produção de bebidas alcoólicas. Além de estimular o apetite, as bebidas amargas têm algumas propriedades tônicas, digestivas e até mesmo estimulantes na produção de bile, todas muito benéficas após uma lauta refeição. Na Itália, a arruda é usada para dar sabor à grapa, um tipo de brandy.

O latim moretum parece ter sido um tema bastante atraente para os poetas antigos. Um poema com este título foi escrito por um poeta chamado "Sveius," e algumas linhas são mencionadas por Macrobius (iii, 18). Parthenius, que era instrutor de grego de Virgílio (Macrobius, "Saturnalia," v, 17), escreveu sobre este assunto, e no manuscrito Ambrosiano de Virgílio há uma nota dizendo que o poema de Virgílio era uma imitação ou tradução do poema de seu mestre. Abaixo, a transcrição de alguns versos do poema de Virgílio:

“Cogitando talvez alguma cousa d’estas,
Entrou na horta, pois; direito aos alhos vae;
co’os dedos fossa a terra; um, dois, mais dois extrahe;
de aipo uns raminhos colhe, arruda e mais coentro,
Regressa para casa; e apenas está dentro
senta-se ao vasto lume, e pede á serva o gral. (Trad. Antonio Feliciano de Castilho)

Na medicina antiga, a arruda era um dos remédios favoritos como antídoto contra venenos, e era vista como uma erva mágica por muitas culturas, bem como protetora contra o mal. Era usada para tratar doenças nervosas, problemas digestivos e histeria. Há uma longa história do uso da arruda, tanto na medicina quanto na magia, sendo considerada uma erva de proteção em ambas as disciplinas. Este resistente arbusto perene é mencionado por escritores, de Plínio a Shakespeare e outros, como uma erva de recordação, proteção e cura. Os médicos antigos consideravam a arruda uma excelente proteção contra pragas e pestes, usando-a para evitar venenos e pulgas. É uma das ervas mágicas de proteção mais bem conhecidas, sendo usada com freqüência em rituais de proteção na magia moderna.

Acreditava-se antigamente que a arruda melhorava a visão e a criatividade, e ninguém menos do que Michelangelo e Leonardo Da Vinci ingeriam regularmente as pequenas folhas com este objetivo. A lenda da arruda sobrevive nas cartas de baralho, onde o símbolo do naipe de de paus segue o formato da sua folha.


A arruda foi muito usada pelos antigos; Hipócrates recomendava-a especialmente, e era um dos ingredientes principais do famoso antídoto contra veneno usado por Mitrídates. Os gregos consideravam-na uma erva que protegia contra a magia, porque curava a indigestão nervosa que sofriam ao comer na presença de estranhos, que eles atribuíam a bruxaria. Na Idade Média e depois, era considerada – em muitas partes da Europa – uma poderosa defesa contra as bruxas, tendo sido muito usada em rituais de proteção. Também se acreditava que a arruda conferia clarividência.

A água benta era aspergida sobre os fiéis com ramos de arruda na cerimônia que precedia a missa dominical, razão pela qual se supõe ter sido denominada Erva do Arrependimento e Erva da Graça. Em Hamlet, de William Shakespeare, Ofélia a oferece à rainha, dizendo: “Eis a arruda para vós e também para mim. Poderemos aos domingos chamá-la erva-da-graça; usareis o vosso ramo de arruda com uma diferença".  

Shakespeare refere-se novamente à arruda em Ricardo II:
“Pobre rainha! A praga eu aceitara, se ela curasse a tua sorte amara. Neste ponto umas lágrimas, donosas, ela deixou cair.Não serão rosas que nele eu vou plantar, senão arruda, planta da compaixão, da dor aguda, planta amarga da graça. Aqui, asinha, será sempre lembrada uma rainha.
A citação a seguir é de Drayton:

“Então ela borrifa o sumo da arruda,
Com nove gotas do orvalho da meia-noite
De destilado de lunária.”

A arruda era espalhada nos tribunais da Grã-Bretanha para prevenir doenças contagiosas dos criminosos, e o buquê ainda hoje oferecido aos juízes nos julgamentos em alguns distritos era, originalmente, um maço de ervas aromáticas, usado com o intuito de proteção contra o tifo. Na Saxônia, a arruda emprestou seu nome a uma Ordem.

No Brasil Colônia (1500-1822), era considerada uma planta protetora, tendo sido muito usada tanto pelos escravos como por seus senhores, sempre associada aos rituais africanos. Numa famosa pintura intitulada “Viagem Histórica e Pitoresca ao Brasil,” o pintor Jean Debret retrata o comércio da arruda realizado pelas escravas africanas nas ruas. A arruda era vendida como amuleto para trazer sorte e proteção.

Atualmente, a arruda é amplamente usada em vários rituais religiosos, especialmente nos cultos afro-brasileiros. Minha experiência pessoal com a arruda consiste em colocar algumas folhas em um copo d’água, bebendo-o lentamente em situações de estresse emocional, o que sempre me faz sentir melhor. Algumas pessoas usam a arruda atrás da orelha quando julgam necessitar de proteção, ou colocam um galhinho debaixo do travesseiro, para garantir um sono mais tranqüilo. Também já vi incenso de arruda, porém nunca o utilizei. A arruda é a flor nacional da Lituânia.

 

Quatro Elementos

Este aspecto foi discutido no exercício de percepção.

Relações cósmicas e terrenas

A arruda é muito apreciada pela borboleta papilionídea, enquanto cães e gatos não gostam dela. É boa companheira de morangos, figos, rosas e framboesas, parcialmente porque tende a espantar o escaravelho japonês. Um dos sites pesquisados recomenda que NÃO seja plantada perto de repolho, sálvia, hortelã, ou qualquer tipo de manjericão, mas não explica o porquê. Também é usada com freqüência em jardins formais e como cerca-viva, pois pode ser podada na forma desejada. A poda deve ser feita sempre na primavera ou após a floração. A arruda também é um belo componente para jardins de pedra ou recantos afastados do jardim. 

 

Ciclos diários e sazonais

Este tópico foi discutido no exercício de percepção objetiva. Como mencionado, registrei os vários estágios de desenvolvimento da planta com fotografias, algumas das quais são mostradas abaixo.

 

 


5 ago 07 – Auge da floração


5 ago 07 - Close-up da flor



5 ago 07 – Planta em seu meio-ambiente
 


19 ago 07 – Algumas pétalas começam a secar e cair
                          


19 ago 07 - Close-up dos ovários em desenvolvimento


19 ago  07 – Folhas novas


3 set 07 – Quase todas as pétalas caíram


12 set 07 – Os ovários continuam a crescer e começam a ficar amarelados


1 out 07 – Transição de cor nos caules


1 out 07 – Ovários continuam desenvolvendo-se



18 out 07 – Ovário tornando-se marrom


7 nov 07 – Ovários abrindo-se para revelar as sementes



15 nov 07 – Folhas da base secando


15 nov 07 – Sementes chegando ao ponto de serem liberadas



21 dez 07 – Aspecto geral da planta


21 dez 07 – Ovários maduros

 

Meio ambiente

A arruda é nativa da Europa, especialmente da região mediterrânea, e do Oeste da Ásia, mas está amplamente distribuída em todas as regiões temperadas e tropicais. É um arbusto de  jardim muito apreciado na América do Sul, onde é cultivada não somente por razões ornamentais e medicinais, mas também por causa da crença de que confere proteção contra as forças do mal. Eu vivo na região Sul do Brasil, de clima temperado, com verões muito quentes. O exemplar que observei está plantado num lugar muito ensolarado e bastante seco, onde parece estar bem adaptado. Outras plantas saudáveis que observei cresciam em condições similares. 

 

Esboços de campo


 

 

II. Expressão artística com Arruda: flores prensadas e arranjos florais

Participo de um grupo que faz cartões com flores secas prensadas, e senti vontade de fazer alguns cartões usando a arruda em diferentes estágios de desenvolvimento. Os elementos que usei não vieram das flores que observei em casa, porque não queria colher nenhuma daquelas. Foram ofertados por amigos que têm exemplares de arruda em casa. Em alguns casos, eu própria fiz a colheita, em outros, eles me trouxeram as flores e folhas. Eu prensei tudo por duas semanas e elaborei os cartões depois deste processo de secagem. Ao fazer os cartões, algumas sementinhas caíram de um dos frutos, e resolvi incluí-las no cartão branco.

                                           

 

Outro exemplo de expressão artística com arruda é este arranjo floral que fiz em 2005, muito antes de saber que iria fazer este estudo. Como gosto de fotografar os meus arranjos, posso agora mostrá-lo aqui.

 

 

Referências bibliográficas

http://www.ars-grin.gov/cgi-bin/npgs/html/taxon.pl?32578
– Banco de Dados USDA – NRCS PLANTS

http://www.inchem.org/documents/pims/plant/rutagrav.htm
#SectionTitle:3.1%20%20%20Description%20of%20the%20plant

IPCS – INCHEM – Programa Internacional de Segurança Química

http://www.seedsofknowledge.com/rue.html


http://www.uni-graz.at/~katzer/engl/Ruta_gra.html
- Páginas de Especiarias de Gernot Katzer

http://www.godecookery.com/friends/frec70.htm
- Página de Culinária Histórica

http://virgil.org/appendix/moretum.htm
- Virgil.org

http://www.mountainroseherbs.com/learn/rue.php
- Mountain Rose Herbs

http://botanical.com/products/bulkherb/r.html#Rue
- Botanical.com

http://toptropicals.com/catalog/uid/Ruta_graveolens.htm
- Catálogo de Plantas Tropicais

www.esalq.usp.br/siesalq/pm/monografia_ruta_graveolens.pdf - Ruta graveolens L. (arruda) - O conhecimento e suas particularidades

http://www.theflowerexpert.com/content/aboutflowers/national-flowers
- The Flower Expert

http://www.infovisual.info/
- The Visual Dictionary

http://www.bibvirt.futuro.usp.br/imagens/pranchas_de_debret


http://www.fesflowers.com/r-of-l-overview.htm
- Flower Essence Society

http://www.filhasdegaia.com/
- Essências Florais Filhas de Gaia

The Flower Essence Repertory
de Patricia Kaminski e Richard Katz

The Plant Study Guide
do Curso Profissional de 2007 FES de Patricia Kaminski e Richard Katz

Apostila do Curso Profissional de 2007 FES de Patricia Kaminski e Richard Katz


Fotos da arruda: Anete B. E. Effting

 

 

Anete nasceu em Blumenau, cidade no Sul do Brasil que recebeu o nome de seu fundador, e que também significa “Cidade Jardim”. Esta é uma das razões por ela ter sido rodeada por flores durante toda sua vida. Este ambiente favorável foi solo fértil para o seu amor pelas flores. Anete é formada em Letras – Português e Inglês, tendo ensinado inglês como língua estrangeira por mais de quinze anos, e vivido em vários lugares, tanto no Brasil quanto no exterior (Argentina e EUA) por questões familiares. Mais tarde, especializou-se em Tradução pela New York University. Em conseqüência de grandes mudanças em sua vida pessoal, foi apresentada às essências florais e decidiu dedicar sua vida a elas. Estuda as essências florais desde 2004, honrando a paixão de toda uma vida, e está atualmente participando do Programa de Certificação da FES, tendo sido aluna do Curso de Formação Profissional de 2007.

 



 


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