Baby Blue Eyes: A Cura de um vinculo

 

por Rosângela Teixeira

Dificuldades de relacionamento desde o início


Análise do caso de K utilizando os 4 R’s
Tomando consciência de sua responsabilidade em criar sua realidade
Consciência de sua negatividade e de padrões de comportamento disfuncionais
Confrontando suas profundas feridas emocionais
  Curando a figura paterna
 
A jornada de K através dos níveis de cura Metaflora
A necessidade de expander o seu repertório emocional
Cultivando o aprendizado,  crescimento consciente e mudança
Descoberta de seu propósito e serviço social
Trabalhando com relacionamentos e construindo um lar para sua alma
Reconhecendo e enfrentando sua sombra

O processo de cura desencadeia a cura do vínculo com a mãe

 

Dificuldades de relacionamento desde o início

K. procurou-me num momento de muita tristeza e insatisfação. Queixava-se de dificuldades de relacionamento com sua família, amigos e namorados. Até aquele momento seus namoros tinham sido difíceis e conflituosos. Não entendia porque nada dava certo em sua vida amorosa, já que se dedicava tanto a eles. Dentre estes, inclui-se um relacionamento de dois anos com um rapaz deficiente visual, que deu fim ao mesmo, casando-se, logo em seguida, com outra pessoa. Sua vida familiar não era diferente: sentia-se rejeitada por todos de sua família. A convivência com seus pais e 3 (três) irmãos foi sempre permeada de brigas e conflitos.

Esta história parece ter começado em sua vida intrauterina. K, conta que seu pai a rejeitou ainda no útero de sua mãe, quando soube que teria uma menina e não um menino como era desejo seu. Ela e seus irmãos não foram frutos de um casamento amoroso, pelo contrário: testemunharam traições e brigas. Sofreram com a ausência das figuras parentais, pois seus pais estavam envolvidos num relacionamento de desamor, onde era impossível apoiá-los e protegê-los, dando-lhes continência e receptividade para crescerem sentindo-se amados e seguros diante da vida.

K. foi a filha que mais sofreu com as desavenças de seu lar e, também, a que mais foi atingida. Por isso, determinou desde cedo: “Não quero esta vida para mim!” Cresceu como uma pessoa rancorosa, amargurada, revoltada e agressiva, tornando-se possessiva e controladora. Passou a repetir em seus relacionamentos a forma de amar que ela havia presenciado entre seus pais. O modo como seu pai amava sua mãe e vice-versa foi o modo “escolhido” por ela para “amar” seus namorados. Não encontrando saída, só lhe restou, responsabilizar seus pais pela dor e sofrimento que sentia.
 
K. chegou à terapia cobrando de seus pais e do mundo o amor que não recebeu. Vivia atormentada com o comportamento de seu pai quando pequenos: “Ele participou da minha vida só suprindo”. “Sinto raiva dele!” “Ele nunca me deu atenção”. “Teve épocas que eu odiei meu pai”. “Por que ele nunca me levou ao parque? Todas as minhas amiguinhas iam com seus pais”. Quanto à sua mãe, não havia dúvidas da rejeição que sempre sentiu pela filha: “Sinto que ela me rejeita”. “Ela diz que sou igual ao meu pai”. Mãe e filha nunca se entenderam e viviam em constantes brigas. K. sentia muito ciúme e inveja da irmã, já que era a filha “queridinha” de sua mãe, pois fazia tudo que esta gostava.

K. sentia-se totalmente só. Suas palavras e seu olhar continham uma profunda desolação, fruto de um velho e conhecido sentimento (vida intra-uterina) de estar totalmente sozinha. Reagia sempre com descontentamento e desânimo a cada obstáculo que a vida lhe impunha. Queixosa e lamuriosa tornou-se vítima da vida.
 
Além disso, K. apresentava um quadro de oscilação de humor fruto da falta de acolhimento na infância que, dificultava ainda mais seus relacionamentos interpessoais. Suas emoções variavam de um extremo a outro, experimentando sensações ruins e boas ao mesmo tempo, o que transformava o contato com as pessoas em algo insuportável.

Para iniciar seu tratamento floral, optei por proporcionar um pouco de alívio a esta imensa carência, para que K. ao sentir-se um pouco mais acolhida, fosse capaz de acessar dentro de si forças nutridoras que devolvessem a ela uma olhar mais compassivo sobre si mesma e para todos que a rodeiam.

Sua 1ª fórmula floral (de agosto a novembro) foi a seguinte:

Chicory  – para nutrição desta carência que está sempre lhe enviando mensagens de que não há bastante amor ou apoio para ela; Chicory é um colo de mãe para quem não teve mãe, proporcionando a ela a possibilidade de ser sua própria mãe agora.

Heather
 – para cuidar da eterna criança carente. Para seu autocentramento, que a transformou numa pessoa profundamente solitária. Essência fundamental para cuidar de seu imenso vazio interno.

Willow
 – para a profunda amargura que sentia devido ao apego a antigas e dolorosas mágoas e feridas emocionais, conservando-as vivas até o momento. Também para quando insiste no sentimento de rejeição, deixando que ele se transforme em ressentimento. Para o sentimento de vítima que a impede de ver com clareza sua própria responsabilidade nas situações vividas.

Scleranthus
 – para estabilizá-la, diminuindo, assim, seus extremos emocionais fruto da falta de nutrição na infância e, também, da dificuldade de elaborar as frustrações vividas neste período.

Vervain  –
para insistência em manter seu próprio ponto de vista, querendo que todos pensem e sintam como ela. Também para ajudar nas oscilações emocionais, pois como todo tipo Vervain, ela oscilava da euforia a uma extrema insatisfação.

Beech  –
para a extrema intolerância, crítica e dureza em suas opiniões em relação a si mesma e aos outros, comportamento que surge como conseqüência de ter sido muito criticada na infância.

Cerato
 – para a insegurança resultante da incapacidade de oferecer a si mesma cuidados maternais e/ou mensagens reconfortantes e tranqüilizadoras.

Mariposa Lily
 – para restaurar a figura materna, criando um vínculo saudável entre ela e sua mãe, possibilitando (re) construir a comunicação que lhes faltou na infância. E também devido ao bloqueio do princípio feminino de receptividade, gerando esta sensação de abandono e solidão. Para ser possível instalar o arquétipo positivo da mãe, devolvendo a ela o aspecto nutridor de todos os seus relacionamentos.

Evening Primrose
 – pela rejeição intra-uterina que lhe causou profunda perturbação no vínculo mãe-filho e que pode ter sido inconscientemente introjetada como sensação de abandono, violação e decepção. Esta essência possibilitaria curar os relacionamentos perturbados de K., retificando as primeiras experiências vitais sentidas como tão devastadoras, já que foram desprovidas de afeto e carinho.

Buttercup  – para a baixa autoestima e falta de autovalidação que apresentava por sentir-se inferiorizada desde pequena em seu ambiente familiar.

Chamomile
 – auxiliando o trabalho da essência Scleranthus na instabilidade emocional que apresentava, ajudando-a a acalmar-se nos momentos de grande labilidade.

Canyon Dudleya  – essência curinga em todos os meus casos, pois diminui a hiperdimensão, seja mental e/ou emocional, impedindo a teatralidade seja em que situação for.

Stinging Nettle
 – essência fundamental para quem viveu em lares agitados, perturbados e conflituosos, onde a única referência que talvez tenha ficado é que pode ser pouco seguro estar numa família, impedindo, desta maneira, decisões futuras pela constituição de seu próprio lar.

Cherry Plum  –
para poder controlar-se mais e não ficar tão reativa a tudo e todos, tornando seus relacionamentos difíceis de suportar.

Wild Oat  –
para que encontre um caminho que se transforme num objetivo de vida.  

Esta fórmula foi administrada via oral, quatro gotas, quatro vezes ao dia durante três meses. Neste período, K. relatou-me que se sentiu mais calma: “Fiquei menos ansiosa em casa e no trabalho”. “Mas ainda me sinto muito instável”. “Acho que neste início estou mais receptiva às minhas emoções”.

Análise do caso de K utilizando os 4 R’s

Estágio I – LIBERAÇÃO, RELAXAMENTO OU    REJUVENESCIMENTO

Com esta primeira fórmula K. sentiu-se mais calma; “Acho que respirei melhor”. Conseqüência de uma suavização de emoções negativas (raiva, ressentimentos e mágoas) que K. estava mergulhada. Aqui eu acredito que minha paciente reconstelou esta questão e isto só foi possível porque ela saiu do seu autocentramento, dando início a um processo de autopercepção, onde foi capaz de olhar para si mesma e perceber-se como uma pessoa extremamente reativa: “Não sei se sou eu que crio o problema”. Credito estas mudanças a uma liberação de energia disfuncional e excessiva causada pelas essências florais, que K. mantinha guardada até aqui.

Mas o fato dela sentir-se melhor, responsabilizando-se mais pelos eventos de sua vida, não impediu que K. voltasse a falar de seu pai, apontando-o como o grande causador de tamanha desarmonia e desamor entre as pessoas de sua família. Para ela, seu pai seria o grande responsável por tudo de ruim que tinha acontecido em sua vida. Neste momento K. trás muita raiva. A crítica a ele e suas desventuras foi sua opção para descarregar todo rancor guardado. Em alguns momentos diria, até, que o ódio ao pai visitou nossas sessões.

Entendi que K. precisava refazer esta figura interna de pai e o caminho agora teria que ser a reconstelação deste pai, por isso decidi incluir na 2ª fórmula, de novembro até março, as seguintes essências florais:

Baby Blue Eyes  – restaurando a figura paterna, trazendo-lhe segurança e confiança diante da vida. Para curar a rejeição e o abandono que sentiu desde cedo e que, admite vir da figura paterna, consolidando-se num comportamento permeado de atitudes cínicas e irresponsáveis (a revolta da época de adolescente). Na vida de K. a vivência traumática desta figura foi transferida e repetida em vários aspectos de sua vida, ao “defender-se” de todos. Este pai decepcionante e ausente levou-a a sentir-se incapaz de confiar na existência de uma parte boa dentro de si. Embora tivesse vivido a falta deste apoio quando na condição de filha, com esta essência, K. poderia agora tornar-se, enfim, protetora de si mesma, guiando a si mesma para uma vida saudável.


Baby Blue Eyes

Scarlet Pimpernel  – esta essência foi escolhida por mim para ajudar no trabalho da Baby Blue Eyes e Sunflower, facilitando a interiorização de um pai afetuoso, quando problemas de relacionamento com ele, determinaram escolhas inadequadas de parceiros, dificuldades de amar e/ou tornaram-se pessoas emocionalmente apegadas.

Daffodil  – para o seu autocentramento e egocentrismo, proporcionando empatia e um olhar compassivo aos outros, principalmente seu pai. Esta essência, para mim, tem um caráter obsessivo de alguém que permaneceu muito tempo num padrão negativo, sentindo-se perseguido por todos. Vai ajudar no trabalho das essências Heather, Baby Blue Eyes e Scarlet Pimpernel.

Sunflower  – outra essência de figura interna de pai, onde a má relação com esta figura tirou dela a chance de desfrutar de um senso de individualidade equilibrado e coeso.

Holly  –
pela matriz paranóide de seu pensamento, julgando-se sempre não merecedora de receber amor e também pelos sentimentos de raiva, ódio e inveja em relação a familiares e amigos.

Golden Ear Drops
 – esta essência foi fundamental no processo de K., pois permitiu a ela entrar em contato com experiências da infância, fonte da dor, como única maneira de liberar as memórias dolorosas do passado.

Com esta fórmula, K. começa a conscientizar-se de sua responsabilidade: “Não sei se sou eu que crio o problema”. “Sinto que tem alguma coisa dentro de mim que precisa sair”. “Estou identificando que tenho sentimentos negativos”. “Tenho que descobrir o que estou buscando, se um porto seguro ou uma família.” Os dois não seriam a mesma coisa? Perguntei a ela. Ela ficou confusa e mostrei a ela que esta frase reitera a percepção que ela tem de sua família: é impossível para ela ver sua família como porto seguro. Família, para ela significaria sempre medo, insegurança, brigas, violência, rejeição, abandono, solidão.

Estágio II – PERCEPÇÃO E RECONHECIMENTO

Neste momento K. reconstelou esta questão ao perceber-se como uma pessoa extremamente negativa. As essências florais indicadas até aqui, limparam sua autopercepção, tornando-as objetivas e claras, por isso mesmo impossível de negá-las. “Sinto que tem alguma coisa dentro de mim que precisa sair.” “Estou identificando que tenho sentimentos negativos, como raiva, muita mágoa.” “Sabe que eu descobri que eu tenho inveja da minha irmã?” “Hoje eu percebo claramente minhas ações e sentimentos de antes e sei que não posso sentí-los”. “Percebo que minha instabilidade atrapalhou muito meus relacionamentos” “Continuo oscilando e com mau humor, só que agora eu percebo, tenho consciência e muitas vezes, consigo controlar”, “Antes eu só queria ter namorados problemáticos (deficiente visual) para ficar no comando”. Esta percepção consciente e ampliada que K. passou a ter de seus sentimentos colocou-a em confronto com sua própria “sombra”. Foi um momento difícil para ela, sentindo-se assustada e desconfortável diante de sua verdade. Mas o tratamento floral ao mesmo tempo em que a colocou em contato com uma parte de si obscura e negativa, deu-lhe, também, uma vontade imensa de mudar e tornar-se uma pessoa melhor: “Tenho desejo de mudar”.

Alquimicamente é neste momento da terapia que K. adentra o estágio da SUBLIMAÇÃO, quando percebe com clareza sentimentos antigos como negativos e capazes de influenciar sua vida, impedindo novas possibilidades de escolhas. Surpreende-se quando compara e contrasta comportamentos seus de hoje com os do passado, vendo-se como a mesma.

Perceber-se igual é o mesmo que sentir-se estagnada. As essências florais tinham dado a ela a consciência de um padrão emocional e mental repetitivo, inalterado, de certa forma, de caráter persecutório que estavam impedindo-a de prosseguir na vida. Minha cliente precisava, então, ampliar sua perspectiva, para que, gradualmente, as essências florais fossem possibilitando a ela ancorar qualidades anímicas positivas.  

Por isso, na terceira fórmula (abril até julho), eu incluí as seguintes essências:

Oregon Grape  – para clareza cada vez maior que K. me dava de que havia um componente persecutório em seus pensamentos. Também para que conseguisse, pela primeira vez em sua vida, dar-se conta de suas suspeitas e dúvidas a respeito de que é possível ser amado e cuidado. Esta essência iria tratar da desconfiança e do velho sentimento que K. nutria de que só se pode esperar hostilidade dos outros.

Yellow Star Tulip  –
para transformar a insensibilidade com o outro em empatia, sensibilidade e sintonia aos sentimentos dos outros, proporcionando a ela a capacidade de curar-se através do contato compassivo com o outro ao conseguir permanecer aberta, gentil e receptiva a todos. Urgia que K. transformasse seu contato com o outro, pois suas relações sociais acabaram sendo afetadas, tornando-se uma pessoa indesejada no ambiente de trabalho, familiar e social.

Calêndula
 – é a essência que K. precisa para ajudá-la a criar um cálice na alma para receber os outros. Favorece a comunicação amorosa, permitindo escutar os que estão a sua volta.

Bleeding Heart  –
para que se “liberte” da família e diminua o apego a eles e às situações vividas.

Sagebrush  –
essência que iria ajudá-la a liberar velhos padrões, pois K. demonstrava, agora, o desejo de mudar e tornar-se uma pessoa melhor.

E durante o período de uso desta fórmula senti K. mais sensível e receptiva: “Chorei muito, acho que me deprimi”. “Consegui abraçar o meu pai”. “Brinco mais com meu pai”. “Agora, consigo conversar mais com meu pai, vou até de carona com ele todo dia de manhã”. “Sinto que quero carinho, quero ser paparicada”. “Engraçado, fiquei com umas sensações estranhas, senti vontade de ser mãe, olhando bebê, vendo carrinho de bebê, nunca tinha sentido isso... acho que quero ter uma família”. “Tenho percebido que preciso sair de mim para ver o outro”.

Deste momento em diante, percebi que K. dava início a um processo de autotransformação. Ao ficar triste, ela acessou um espaço de dor, onde durante muito tempo ficou estagnada e impedida de prosseguir. Mas ao mesmo tempo, estar em contato com sua ferida fazia com que este ego sentisse muito medo e resistência.

Estágio III – REAÇÃO, RESISTÊNCIA E RECONCILIAÇÃO

Neste estágio K. acessou sua dor. Foi um período difícil para nós duas, pois, pela primeira vez senti que faltaram forças a ela, perdendo, muitas vezes, a vontade de continuar. A sua percepção era de que teria que fazer um esforço imenso para poder ser feliz, mas ainda era algo muito difícil para ela. Até aqui, ela tinha mantido um equilíbrio tal que lhe possibilitava ver de fora situações que antes “chamavam-na” para o embate. Neste momento da terapia, a extrema reatividade de antes acabou voltando e com ela muita raiva e velhos rancores.

Ao deparar-se com sua grande ferida emocional, K. sente muito medo e a resistência foi o mecanismo acionado por seu ego para liberar a tensão inerente a este momento e também como forma de defesa. Ela sabia que esta crise significava a conscientização de padrões e/ou crenças antigas suas, mas que agora, precisariam ser abandonados, pois estes se opõem às novas qualidades que esta alma deseja ancorar.

A sensação de abandono vivida por ela intra uterinamente e também fora do útero de sua mãe, em um ambiente familiar hostil, foi tão grande, que K. relatou-me que sentiu vontade de ficar no colo da mãe, retornando neste momento ao estado infantil: “Disse para ela que queria mamar”.

Nesta fase K. permaneceu muito tempo na etapa alquímica da CALCINAÇÃO, sentindo muita raiva de seus pais e familiares, ressentindo-se de tudo. Para ela, foram seus pais que, injustamente, transformaram sua vida num imenso sofrimento.

Minha paciente permaneceu alguns meses neste estado negativo. Nesta fase, K. faltou algumas vezes à terapia, fato inusitado até aqui, pois ela sempre foi uma pessoa extremamente compromissada com seu tratamento. Este comportamento reforçava a minha percepção da resistência que ela tinha à instalação de novos padrões.

K. relatou alguns sonhos neste período:

1o Sonho

“Sonhei com um bebê, o neném era pequeno, e era uma menina, ela estava segurando no meu braço, e não me soltava de jeito nenhum, depois eu peguei e a coloquei no peito pra dormir um tempão... E fiquei curtindo, ela estava muito quietinha e feliz e eu tb!!”

Neste sonho K. entra em contato com sua criança interior, via-se feliz, pois estava sendo acalentada (colocou-a no peito), protegida e amada, como sempre “sonhou” ser. Aqui está bem simbolizado o desejo de ser amada.

2o Sonho

“Ah esta semana eu sonhei caindo de uma ponte alta, vi meu corpo em cima da água como se estivesse morta, mas depois eu reagia puxando um barco pra me salvar, eu estava no carro com mais 2 amigos que trabalhei em 2004. Eu via td muito nítido.”

Neste sonho K. mostra claramente o desejo inconsciente de transformar-se. Mostrei a ela que a morte física do sonho significava a morte psíquica de algo dentro dela. “Existe em você algo que precisa morrer”, disse a ela. A água pode ser interpretada como a mãe, mas que deve ser vista aí como criadora, fecundante, transformadora do ser. Quando ela própria reage, salvando-se mostra sua força e esperança de renascer desta água (mãe).

Nesta fase K. adentra na etapa alquímica da SOLUÇÃO, devido ao sonho significativo que teve, onde a água simboliza a imagem arquetípica de um inconsciente profundo, podendo estar relacionada com a mãe não nutridora de K.

Com objetivo de apoiá-la neste momento doloroso, incluí as seguintes essências:

Dune Primrose  – para acessar uma conexão nutridora maternal vinda do plano Superior. Resolvi indicar esta essência por ela ser uma pessoa muito agressiva e também para que tenha uma percepção consciente da família de almas que a acolheu, acionando um sentimento de gratidão por tê-los escolhidos. Com isso ela sairia do padrão de vitimização e passaria responsabilizar-se por estar com eles nesta vida.

Mountain Pride  –
achei importante indicar esta essência neste momento da terapia, para proporcionar a ela uma energia masculina positiva, assertiva, acionando seu guerreiro interno, impedindo-a de desistir. Seria a força que ela necessitava agora para prosseguir.

Penstemon  –
ajudou a manter a força para perseverar neste momento difícil da terapia.

Green Rose 
– para trazê-la de volta à vida. Um reativador, indicando a ela que pode vir sem medo, pois é seguro estar aqui e participar.

Rock Rose  –
para ajudá-la a transformar, sem medo.

Gentian  –
para não desistir diante de obstáculos.

Como resultado, o novo composto floral (tomado de agosto a novembro) trouxe-a de volta a si mesma e ao tratamento. Tornar-se uma pessoa melhor passou a ser o grande objetivo de sua vida. Sentindo-se mais animada, K. envolve-se em questões familiares e se vê tendo comportamentos desconhecidos para ela até aquele momento: “Estou descobrindo que quero muito ter uma família”. “Comprei um presente para o meu sobrinho que vai nascer”. Você não vai acreditar: comprei passagens para o meu pai ver a família dele no Nordeste e saí com ele para comprar roupas para viajar. Foi muito bom... eu fiquei muito feliz”. “Então resolvi escrever uma carta para o meu pai.”

CARTA DE K. AO PAI

Pai estou escrevendo esta carta por não conseguir falar tantas coisas que sinto. Em primeiro lugar quero lhe agradecer por tudo que fez por mim a vida inteira. Deu-me um lar, uma família, pagou meus estudos.

Sei que sua vida não foi nada fácil, muito trabalho, mas muitas coisas aconteceram por causa de suas escolhas erradas.

Tinha tantas coisas que eu gostaria que o senhor tivesse feito e não fez coisas simples, por exemplo, passar mais tempo comigo, me dá mais carinho. Quando eu era criança eu comparava o senhor com o pai da minha amiga Kátia (da escola), não entendia o motivo pelo qual o senhor não me dava muita atenção e quase nunca almoçava aos domingos conosco, eu me ressentia com isso. Lembro-me que sempre lhe via saindo com os amigos para festas aos sábados. Eu cresci com esta deficiência de pai em minha vida, no que diz respeito à atenção, porque o senhor soube muito bem ser responsável e nunca deixou faltar nada material, mas faltou carinho. Devo ter tentado chamar a atenção de todas as formas possíveis e imagináveis, mas não consegui. Só fazendo a terapia e tomando o floral é que consegui uma grande evolução, passei a lhe ver com outros olhos, com mais carinho, sem mágoas, sem revoltas. Hoje nos aproximamos o senhor diz que gosta de mim, me abraça, já fomos até comprar roupas juntos para sua viagem. Eu consigo lhe abraçar, fazer carinho, eu falo que TE AMO. Atualmente, eu lhe vejo como outra pessoa, porque a religião lhe ajudou a melhorar como pessoa e a ser mais carinhoso também.

Pai, agora eu tenho um sobrinho lindo e o senhor tem um neto. Este acontecimento mudou muito as nossas vidas, sinto que estamos mais próximos, unidos e mais felizes também. Independente das dificuldades que venham a surgir.

Há um mês eu conheci o Marcelo e estou conseguindo me relacionar de peito aberto. Estou dando e recebendo muito carinho. Há quatro anos não conseguia gostar de alguém assim. Estou procurando não criar muitas expectativas, mas sinto que posso ser feliz ao lado de alguém e descobri que é o que sempre quis!!!

Acredito que curei este problema de vínculo com o senhor pai, pois não sinto mais raiva, mágoa ou qualquer sentimento ruim em relação a você.

Agradeço a Deus e a minha terapeuta que está sendo muito maravilhosa comigo, um anjo de luz em minha vida.

Sua filha que TE AMA muito
K.
24/07

Estágio IV – RENOVAÇÃO E RECONSTELAÇÃO

Aqui percebi que K. tinha conseguido curar uma parte de suas feridas do passado (figura interna de pai), permitindo a ela criar novas possibilidades de uma vida futura (desejo de ter uma família). Nesta fase, vi surgir aspectos totalmente novos de sua alma, como comprar um presente para seu sobrinho que estava para nascer, filho da irmã que disputou com ela o espaço no coração de seus pais e que, agora, mais do que nunca este espaço estava sendo ocupado duas vezes, pela irmã e pelo filho que esta iria ter. O uso das essências de coragem e força (Penstemon, Mountain Pride, Gentian e Rock Rose) possibilitou-a transformar imperfeições de sua personalidade em ânimo e fé favorecendo novas escolhas.

A jornada de K através dos níveis de cura Metaflora

K. chegou a terapia com o meta nível 2 ativado (a estruturação de um lar em seu corpo).

No entanto, os meta níveis que eu considero mais problemáticos para ela e que eu escolhi para me concentrar foram: 1 (necessitando expandir seu repertório emocional); 3 (cultivar o aprendizado, o crescimento e a mudança de consciência); 4 (descobrir seu propósito,  o serviço social); 5 (trabalhar seu relacionamentos e construir um cálice para sua alma) e 6 (reconhecer e enfrentar a sombra).

Neste período, K. não chegou a alcançar os meta níveis 7 (o cultivo do Eu espiritual) e 8 ( conexão com a natureza e reconhecimento da Terra como ser vivo).

S. alcança o meta nível 1, quando conscientiza-se de que a maneira como vive suas emoções são decorrentes do abandono vivido por ela na infância. Nesta meta nível ela volta ao passado e desperta para o relacionamento com seus pais da infância, recordando-se da rejeição intrauterina, da projeção que sua mãe fazia a ela quando a comparava ao pai, identificando, assim, a extrema carência afetiva por não ter sido amada, transformando-se numa pessoa rancorosa, com muita raiva de todos, pois cobrava do mundo o amor que não teve. Aqui K. conscientiza-se do quanto ainda está aprisionada a estes sentimentos, tornando-se vítima deles ao permitir que estes determinem sua vida.

É aqui, neste meta nível que ela percebe que todas as suas questões giravam em torno de um único fator: a não internalização das figuras parentais. A oscilação emocional, a imaturidade, o sentimento de vitimização, o egoísmo e o egocentrismo, o autocentramento, a personalidade co-dependente foram consequência do vazio interno que jamais conseguiu ser preenchido.

As essências chaves para este meta nível foram: Mariposa Lily, Chicory, Evening Primrose, Baby Blue Eyes, Buttercup, Canyon Dudleya, Chamomile, Holly, Oregon Grape, Willow, Dune Primrose e Golden Ear Drops.

No meta nível 3 K. conscientiza-se da repetição de seus padrões, quando percebe que escolhe sempre parceiros problemáticos (chegando a namorar um deficiente visual), pois este era o único modo encontrado por ela para ter alguém a seu lado. A percepção de sua estagnação mostra a nós duas a dificuldade de romper com comportamentos viciados. Aqui K. começa a perceber que é ela mesma cria o problema.

As essências chaves para este meta nível foram: Chestnut Bud e Scleranthus.

K. chega ao meta nível 4 quando descobre que está estagnada e sem motivação, também em seu trabalho. Sentindo o momento de mudança pelo qual está passando, K. começa a participar de vários concursos públicos. Nesta época, ela é aprovada na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), trazendo uma grande oportunidade de mudar de emprego. Sair antigo emprego e começa a advogar (faz isto até hoje) é o início de uma mudança interna. Também nesta fase do tratamento K. sentiu vontade de fazer um trabalho voluntário num orfanato com crianças abandonadas. Cuidar destas crianças significava para ela cuidar de sua própria criança interior, triste, solitária e abandonada.

As essências chaves para este meta nível foram: Heather, Wild Oat.

O meta nível 5 é um dos mais problemáticos para K. pois seu maior desejo é amar e ser amada, mas ela descobre que desconhece como é amar e se fazer amar. Até aqui K. “amou” de forma possessiva doentia e disfuncional, tornando-se uma mulher co-dependente. Como forma de receber afeição, K. transforma qualquer encontro numa oportunidade de ter alguém. Sacrifica-se num relacionamento apenas com o objetivo de satisfazer sua extrema carência afetiva.

As essências chaves para este meta nível foram: Calendula, Yellow Star Tulip e Bleeding Heart.

É no meta nível 6 que K. reconhece sua sombra e passa a se ver como uma pessoa invejosa, que sente muita raiva do pai, da mãe e da irmã e que este sentimento acabou sendo transferido para todos, pois até aqui era impossível para K. ter bons pensamentos e palavras de otimismo para as pessoas. Aqui K. percebe que perdeu muito tempo lamentando-se, culpando a todos pela sua dor. Esta consciência trouxe muita dor para ela e acabou levando-a a depressão. Mas é aqui que K. perdoa seu pai, entendendo e aceitando que o casamento de seus pais foi uma parte necessária para o desenvolvimento de sua alma. É neste meta nível que K. perdoa seu pai e onde o velho ressentimento à família fruto de sua condição de não amada começa a se transformar  em responsabilidade por estar aqui com eles, participando desta história. Aqui, também, ela escreve uma carta para seu pai, perdoando e aceitando suas desventuras.

As essências chaves para este meta nível foram: Sagebrush, Willow, Holly.

Neste período de tratamento K. Não chegou a atingir o meta nível 7 (o cultivo do seu Eu espiritual) e 8 (conexão com a natureza e reconhecimento da Terra como ser vivo).
  

O processo de cura desencadeia a cura
do vínculo com a mãe

K. está até hoje em terapia. Nossos encontros, que antes eram quinzenais, hoje, seguem um acordo mensal, pois ela está trabalhando muito distante do consultório, além de ter comprado seu próprio apartamento, o que mexeu drasticamente com suas finanças. Está trabalhando como advogada, grande sonho seu quando começou a terapia e para isso, teve que abandonar o antigo emprego. A essência Baby Blue Eyes aliada às outras essências, possibilitaram a regeneração da figura de pai e proporcionaram a ela a estrutura necessária para cumprir dois grandes objetivos seus: a compra de um imóvel e o crescimento profissional.

Baby Blue Eyes, de maneira impressionante e muito rápida, possibilitou a ela um trabalho de grande conscientização, onde não mais foi possível para ela, julgar de forma irresponsável, seu pai ou qualquer outra pessoa. Ao percebê-lo como um “grande lutador”, reconheceu nele o grande homem trabalhador que foi. Identificou e aceitou os erros dele. Entendeu que houve entre seu pai e sua mãe um casamento sem amor, que seria deles a grande responsabilidade e missão de não permitir que esta forma de “amar” se estendesse para a vida de seus filhos. Neste momento da terapia senti K. aliviada, como se um peso tivesse saído de si. Ela passou a aceitar a dinâmica familiar que esteve inserida até hoje, não mais cobrando de seu pai o amor que não recebeu. Tudo isso lhe trouxe a certeza de que todos perderam. Mas Baby Blue Eyes permitiu que ela perdoasse seu pai: “O que eu sinto agora, é que precisamos continuar”.

Nosso grande objetivo agora, é aliviar sua profunda carência afetiva, ou seja, chegamos à mãe. Esta tem sido uma luta árdua para nós duas. K. chegou a interromper a terapia algumas vezes, mas retornou sempre, pois sabe que uma vida livre de interferências negativas e conseqüentes escolhas positivas dependem da cura desta figura interna.

A extrema carência afetiva de K. tornou-a imatura emocionalmente, egoísta e vítima da vida. Como conseqüência, só sabe amar de forma possessiva e controladora, onde o apego excessivo e o medo do abandono fizeram com que desenvolvesse uma personalidade co-dependente. K. atrela-se em seus namorados, buscando receber deles o que foi tirado dela na infância.

Meu trabalho tem sido em busca da autonomia de K. Ela agora precisa transferir-se da co-dependência externa para a autoconfiança interior. Para isso, terá que abandonar este padrão, mas sabemos, eu e ela, que antes, vai ser necessário que ela desista, abra mão daquela mãe que não conseguiu vê-la. Só assim ela vai recriar sua criança interior.

“Meu pai e minha mãe nunca me deram o afeto que eu necessitava. Mas quero daqui para frente ter uma família harmoniosa. Além disso, o P. (sobrinho) está vindo aí. Quero tentar dar ao meu sobrinho todo amor que não recebi. Quem sabe assim eu preencho o enorme vazio dentro de mim.
Beijos, K”

rosangelateixeira.floral@gmail.com




 


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