Estudo Arquetípico

Echinacea: a força de Madonna

 
Anete B. E. Effting


Photo by Richard Katz

Arquétipos são forças universais originadas nos mais altos níveis da criação para formar o mundo físico da Natureza e da alma humana. Mais do que uma simples “coisa”, são protótipos ou padrões que emanam do mundo espiritual revelados em símbolos, imagens, gestos, padrões energéticos e qualidades, tanto na Natureza como na cultura humana. A capacidade de articular esta linguagem é uma habilidade fundamental para o terapeuta em Terapia Floral. O estudo arquetípico a seguir foi apresentado por Anete B.E. Effting como parte dos requisitos para o Programa de Certificação da FES.

Controvertida da cabeça aos pés, podemos gostar ou não de Madonna, mas ninguém consegue ser indiferente a ela. Cantora, intérprete, atriz, compositora, dançarina, produtora musical e de cinema, diretora de cinema, designer de moda, escritora, empreendedora. O objetivo deste trabalho não é biográfico, entretanto, algumas informações sobre a biografia de Madonna são necessárias para fazer a relação entre ela e o arquétipo da Echinacea.

Nascida Madonna Louise Veronica Ciccone em Bay City, Michigan, em 16 de agosto de 1958, filha de Silvio "Tony" Ciccone e Madonna Fortin. Tony, filho de imigrantes italianos, foi o primeiro de sua família a frequentar a universidade, onde diplomou-se engenheiro. A mãe de Madonna, técnica de raio-X e, anteriormente, bailarina, era de descendência franco-canadense. Após o casamento, o casal mudou-se para Pontiac, Michigan, perto de onde Tony trabalhava como engenheiro militar. Madonna nasceu três anos mais tarde, numa visita da família a Bay City. A terceira de seis filhos, Madonna aprendeu desde cedo a lidar com a posição de filha do meio, admitindo que ela era “a medrosa da família” [1],  usando frequentemente seus truques femininos para conseguir o que queria. Ao acompanhar sua vida familiar, é fácil compreender que, na infância, Madonna sentia não ter importância no sistema familiar. Sua necessidade básica de ser reconhecida não era preenchida e ela usava sua fragilidade feminina para atrair a atenção e conseguir o que queria. A polaridade negativa da Echinacea fala da falta de nutrição emocional que leva à falta de identidade pessoal [2], expressa claramente em sua afirmação.

Seus pais eram católicos devotos, o que teve grande influência na infância de Madonna. “Minha mãe era uma fanática religiosa,” explica Madonna. “Sempre houve padres e freiras circulando em casa durante minha infância.” [3] Além de não se sentir reconhecida, pode-se presumir que a religião significava outra forma de dissolver sua identidade, com rituais e práticas que não significavam muito para uma criança pequena, enfraquecendo sua conexão ao seu verdadeiro Eu espiritual, ao invés de fortalecê-la. Este é outro aspecto da polaridade negativa da Echinacea. Muitos elementos da inocografia católica – incluindo as imagens do Sagrado Coração que sua mãe mantinha em casa, os hábitos das freiras na escola primária que frequentou e o altar doméstico diante do qual ela e sua família rezavam diariamente – tornaram-se mais tarde tema dos trabalhos mais controvertidos de Madonna, refletindo sua forte reação a estas práticas que parecem ter sido dão danosas à sua alma.

Outra forte influência na infância de Madonna foi a mãe, diagnosticada com câncer de mama durante a gravidez de sua irmã mais nova. O tratamento teve que ser adiado até o nascimento do bebê, mas a doença já havia progredido muito. Sua mãe faleceu aos 30 anos, quando Madonna tinha apenas 5. O trauma de perder a mãe tão cedo foi, provavelmente, o aspecto mais difícil de sua primeira infância. O Repertório da Flower Essence Society menciona “traumas que fragmentam a dignidade do Self” [4] ao referir-se a eventos que fazem a pessoa perder sua identidade e sentir que não é emocionalmente nutrida. Madonna teve que lidar não apenas com a perda da mãe, mas também precisou enfrentar uma madrasta com quem não se dava bem e que continuou a estabelecer regras que não faziam sentido para ela, assim como sua mãe havia feito.

A morte da mãe afetou significativamente a adolescência de Madonna. Perseguida pelas memórias da fragilidade da mãe e sua atitude passiva durante seus últimos dias, Madonna estava determinada a fazer sua voz ser ouvida. “Eu penso que a principal razão por eu ter sido capaz de me expressar e não me sentir intimidada foi por não ter tido uma mãe,” diz ela. “Por exemplo, as mães te ensinam boas maneiras. Eu não aprendi absolutamente nenhuma destas regras  e regulamentos.” [5] A morte da mãe parece ter sido o ponto de virada de sua vida, quando ela começou a manifestar-se apesar das duras regras e regulamentos que lhe eram impostos, o que o Repertório da Flower Essence Society menciona como sendo um processo de cura de “reconstrução da força interna abalada por trauma extremo” [6]. A descrição de Richard Katz do ciclo de crescimento da Echinacea, “Muitas flores estão em botão, ou entreabertas. Muitas estão totalmente abertas. Todo o ambiente das flores é muito vibrante, apesar de ser às vezes parcialmente obscurecido pelas plantas vizinhas” [7] me faz pensar em Madonna como uma criança vibrante – o botão – muito vibrante, mas obscurecida pelos seus irmãos, pela fé católica, pela morte da mãe, pela madrasta. Haveria esperança para uma criança assim?

Refletindo a força arquetípica da Echinacea, a criança tão profundamente ferida começou um processo de cura, reconstruindo sua força interna. Apesar de ser rebelde, ela demonstrou grande determinação, força e disciplina ao buscar seus objetivos – todos aspectos que podem ser identificados na geometria da Echinacea. Como mencionado por Katz, “todas as partes da Echinacea, com exceção das pequenas flores que constituem a inflorescência, são caracterizadas pela rigidez e  força” [8] – e assim era o comportamento de Madonna – duro e forte. Ele também menciona o centro altamente organizado da flor, composto de “pequenas flores tubulares que se curvam ao toque, mas sem perder a forma” [9] – da mesma forma, Madonna teve muitos revezes na vida, mas parece sempre ter sido capaz de reconstelar seu Self.

Ela lutou especialmente contra as regras impostas pela madrasta, Joan Gustafson. Madonna conta que Gustafson frequentemente a obrigava a cuidar das crianças menores da casa, tarefa da qual ela se ressente muito. “Eu realmente me via como a própria Cinderela,” [10] contou  Madonna mais tarde. Contudo, a Cinderela não esperou pelo Príncipe Encantado para salvá-la e, ao invés disso, decidiu tomar a sua vida nas próprias mãos, recuperando a auto-estima e o respeito por si própria – uma característica da Echinacea. “Eu penso que foi então que eu realmente pensei sobre como eu desejava fazer algo diferente e me livrar daquilo tudo.” [11] Ela rebelou-se contra sua educação tradicional ao transformar suas roupas conservadoras em trajes reveladores, frequentando boates gay e rejeitando sua formação religiosa. Entretanto, Madonna equilibrou este lado insubordinado da sua personalidade com um desejo de perfeccionismo e ambição. Ela era excelente aluna, líder de torcida e uma bailarina disciplinada, formando-se no ensino médio um ano antes de seus colegas. Em 1976, seu trabalho árduo chamou a atenção da Universidade de Michigan, que ofereceu a ela uma bolsa de estudos integral no programa de dança.

Ela mudou-se para Nova Iorque em 1979, para tentar carreira como bailarina moderna, tornando-se uma pop star mundialmente conhecida. A atidude de Madonna perante a vida é resultado de suas experiências na infância. Desde muito jovem, após a perda da mãe, ela sentiu o desejo e a necessidade de ser forte. Ela usa imagens religiosas e material sexualmente explícito com frequência em seu trabalho e é a primeira mulher pop star a ter controle completo de sua música e imagem. Ela explorou deliberadamente estes aspectos para promover sua carreira, frequentemente chocando as pessoas com suas atitudes. Mais tarde, interessou-se pela Cabala e por atividades humanitárias e escreveu vários livros infantis.  Ela tem dois filhos biológicos e adotou duas crianças africanas, outra atitude controvertida.

Todas essas características mostram uma estreita relação com as qualidades da Echinacea, descritas por Katz: “sua força e estrutura organizada são uma expressão de sua habilidade de manter a integridade do Self” [12] – assim também é Madonna, resiliente e forte como a  Echinacea. Não apenas isso, “o movimento da concavidade para a convexidade na abertura da flor .. é também um movimento de receptividade à auto-expressão e expansão” [13]. A concavidade pode ser vista como a influência que ela recebeu na infância, enquanto a convexidade representa seu desabrochar no mundo, expressando-se de tantas maneiras diferentes. Katz continua dizendo que “a penetração da cor no caule e folhas e a cor forte e vibrante da flor mostram a ação de forças astrais de renegeração através de uma forte matriz etérica” [14] – possivelmente uma afirmação que poderia ser identificada com o interesse de Madonna mais tarde na vida por ensinamentos esotéricos e causas humanitárias, expressando uma profunda conexão espiritual. Da mesma forma que a flor assume a forma convexa, mostrando finalmente o impactante formato da flor madura, assim também Madonna parece estar fortalecendo sua integridade profunda, deixando para trás as florzinhas suaves, macias e sedosas que representam suas experiências de infância, numa afirmação de que é possível sobreviver com integridade, mesmo tendo sido gravemente machucado.

De fato, Madona parece encaminhar-se para o arquétipo representado pela Sacerdotisa no Tarô – a mulher sábia. A Echinacea relaciona-se ao Nível Metaflora 7, que expressa o arquétipo do Sol como caminho para o Self Espiritual, mostrando um Self que foi capaz de superar a dor e expressar seu núcleo radiante. Um Self assim é capaz de expressar sabedoria num mundo material – nada mal para uma “material girl”!

Notas de rodapé:

[1] http://www.biography.com/articles/Madonna-9394994
[2] Patricia Kaminski and Richard Katz, Flower Essence Online Repertory.
[3] http://www.biography.com/articles/Madonna-9394994
[4] Flower Essence Society, Flower Essence Repertory, p. 205
[5] http://www.biography.com/articles/Madonna-9394994
[6] Patricia Kaminski and Richard Katz, Flower Essence Online Repertory.
[7] Richard Katz, Strength and Ordered Structure: Observing the Echinacea Plant. FES website http://www.flowersociety.org/Echinacea.htm
[8] Ibid.
[9] Ibid.
[10] http://www.biography.com/articles/Madonna-9394994
[11] Ibid.
[12] Richard Katz, Strength and Ordered Structure: Observing the Echinacea Plant. FES website http://www.flowersociety.org/Echinacea.htm
[13] Ibid.
[14] Ibid.

Rreferências bibliográficas:

Richard Katz, Strength and Ordered Structure: Observing the Echinacea Plant. FES website http://www.flowersociety.org/Echinacea.htm

Kaminski, Patricia and Katz, Richard, FES Member’s Online Repertory http://www.flowersociety.org/

Kaminski, Patricia and Katz, Richard, Flower Essence Repertory, Flower Essence Society, Nevada City, CA, 2004.

Kaminksi, Patricia and Katz, Richard, Flower Essence Society Professional Course Handout. FES, Nevada City, CA, 2007.

http://www.biography.com/articles/Madonna-9394994

http://en.wikipedia.org/wiki/Madonna_(entertainer)

http://www.notablebiographies.com/Lo-Ma/Madonna.html


http://www.sing365.com/music/lyric.nsf/Madonna-Biography/4045FE25F35C64A74825688C000724D6

Dealing with the myth of Cinderella, written by the Grimm brothers, how could you analyze it in terms of archetypes that Carl Jung used? 14 Dec 2009
http://www.cliffsnotes.com/WileyCDA/Section/id-305406,articleId-7901.html

Image of Echinacea: by Richard Katz

Image of the Priestess Tarot Card: http://www.susunweed.com/herbal_ezine/September08/wisewoman.htm

 


 


[ About FES | Online Repertory |Class Offerings | Research & Case Studies | Interviews and Articles]
[ What's New | Publications | Membership | Find a Practitioner | Members' Pages | Home ]

 


P.O. Box 459, Nevada City, CA  95959
800-736-9222 (US & Canada)
tel: 530-265-9163    fax: 530-265-0584

E-mail: mail@flowersociety.org

Copyright © by the Flower Essence Society.
All rights reserved.